Aqui eu falo o que quizer e leia quem puder. Ser pensador não é sintoma de intelectose. É condição da Natureza dos primatas. Posso ser um pensador medíocre, encurralado pela minha extrema falta de cultura(odeio ler... me perco nas linhas horizontais, crio rotas verticais... dizem que é sintoma de TDAH). Porém sou poluído pelas minhas idéias. Este espaço é uma verdadeira privada para as minhas excreções mentais. Mas atenção: a pérola é o cocô da ostra!
domingo, 17 de outubro de 2010
Dilema de Estado
política neoliberal como idéia e história. Neste modelo, onde o Estado
é apenas um administrador do país, não há espaço para políticas
sociais. Em uma sociedade que usufrui da distribuição de riquezas e
goza de educação formal, pode dar certo. Dá certo em São Paulo, pois
este estado é o segundo PIB da América do Sul por razoes históricas e
demonstra índices de desenvolvimento humano compatíveis com os da
Europa. Mas São Paulo não é nem será durante um bom tempo MODELO para
o Brasil. Assim como os EUA não são. No máximo, os considero uma inspiração...
Talvez por isso políticos paulistas tenham fracassado a
braçadas na Presidência da república. Enquanto o governador de São
Paulo que se torna presidente não aprender que a política social de
seu estado não se aplica ao Acre ou a Sergipe, vai sempre fracassar.
As privatizações e alianças globais são os dois aspectos mais
delicados em uma política neoliberal para o estado brasileiro porque
materializam o perigo do liberalismo em um país com mercado interno
frágil, agências de regulamentação/fiscalização corruptas e
ineficientes, uma legislação jurássica e uma população ainda pobre e
pouco instruída, incapaz de expressão política autógena para, por
exemplo, boicotar a gasolina da Shell por causa da remessa de lucros.
Antes de abrirmos a porta e deixar a visita entrar, precisamos arrumar a casa!
Não há espaço em um estado liberal para políticas sociais,
principalmente aquelas políticas de inclusão de minorias e, assim,
para justiça social. Pois o estado administra um país a merce das leis
do mercado (lucro, ativos, passivos, dividendos...) e são estas as
leis da sociedade. Cada americano cresce calculando taxas de juros e
contribuindo para previdência privada, sei que compadecido com o
mendigo paraplégico que mora na esquina PÒREM não admite que o estado
gaste um centavo dos seus impostos com ele!!!. O SUS, INSS, funrural,
BNDES, FINEP, FSH etc não foram feitos para dar lucro e, por isso, não
há espaço para eles no liberalismo. Como eu concordo plenamente com
Dilma quando diz que a estatal é um bem da sociedade. Na minha
opinião, se não houver prejuízo, o lucro de uma estatal deve ser
social... Ou seja, a Pètrobras, enquanto estatal, deve(ria) contratar
um estaleiro nacional para construir o navio dela, desde que não gere
prejuízo para a empresa. Uma empresa de capital privado "pensa" neste
lucro social? Em relação ao patrimonio estatal, sem um estado forte
(inclusive belicamente forte), não podemos vender setores
estratégicos, como geração de energia ou subsolo. Para mim isto é um
fato.
Amigos, aqui na nossa saúde mental, qual o nosso papel? Teríamos
trabalho em um país liberal? Precisamos ser coerentes.
Quanto ao ranço que temos da corrupção que veio a tona no governo
Lula, bem... Ela veio a tona no governo Lula... Algum bom brasileiro,
infelizmente, acredita na austeridade dos antecessores de lula?
Independente disto, pular no colo do mercado liberal por causa da
corrupção planaltina é o mesmo que matar o boi pra acabar com os
carrapatos. Como bons cidadãos adultos e educados que somos devemos
simplesmente continuar passando Triatox neste boi chamado Brasil....
domingo, 10 de outubro de 2010
ÁGUA
Seja forte. Não como a rocha. Mas como a água.
A rocha esta lá para sempre, sol que nasce lua que se põe lá está ela, fria ou quente, mas sempre com a mesma face cinza, os mesmos olhos fechados, a mesma mente concreta. Quando o tempo insiste ou quando a natureza ofende de verdade. A rocha se quebra, estilhaça, vira pó. A rocha é frágil. Pois ou esta lá para sempre, ou então se acaba.
A água é forte.
Água nunca está no mesmo lugar. Água vai até onde ninguém mais consegue ir, seja nas entranhas da terra, nas frestas das montanhas, no alto das montanhas, no sangue das folhas, nas lágrimas dos homens.
Água vence o ar, o fogo e o medo. Nunca se fere, seja com a insitência do tempo ou a força da natureza. Ela jamais se corta pois quando a lâmina chega ela sabe dar lugar a lâmina, sai para o lado, divide o espaço. Sempre, não se corta, nunca se fere.
A água sabe ocupar o lugar que lhe cabe, fluir por entre as tensões e sempre preencher algum vazio. A água vira ar, ferve, brinca de pedra, dorme por eras quieta no frio, acorda, escorre pelas gretas da terra movendo o mundo. Ela chove. Sempre volta a ser, sempre sem perder a sua essência.
Água dá a luz à vida.
Agua que tanto bate até que a rocha fura.
Seja água. Vá a qualquer lugar, por mais difícil que seja, saiba onde é o seu lugar. Seja sensível e inteligente: caiba no mundo, não queira que ele caiba em você; ocupe os seus vazios; dobre-se, encurve-se, mova-se segundo a vontade do Mundo, mas sempre continue correndo em direção ao seu Destino. Flutue no ar, mas sempre volte à Terra. Descanse quieto e paciente nos seus piores invernos, mas sempre volte a fluir. Brinque de rocha, mas não pare nunca de sonhar. Transforme-se sempre e ganhe todos os lugares onde quiser estar. Seja ar, rocha, fluido, quente, frio, translúcido, misterioso, criador e destruidor...
Mas nunca perca a sua essência.
sábado, 9 de outubro de 2010
NUNCA VI IMPRENSA LIVRE
Premissa:
A imprensa livre é fundamental e indispensável para a constituição e estabilidade de um Estado de Direito democrático.
As querelas eleitoreiras que imprensa nacional tem propagado aos quatro ventos não me impressionam. Simplesmente porque eu não acredito que algum dia houve uma imprensa isenta, imparcial, realmente comprometida com a ética. Posso estar errado, mas é a minha crença.
Esta crença é alimentada pela lógica. Organizações com fins lucrativos têm interesses privados. Necessitam competir no mercado, pegam empréstimos em bancos privados, negociam taxas com estes bancos, contituem sociedades com outros setores da economia. Os jornais são empresas que têm interesse em fazer dinheiro e precisam do dinheiro para existir. Quem me garante que um banqueiro credor não telefona para o editor da revista tal e pede o favorzinho de “simplesmente” aumentar ou diminuir o destaque de alguma matéria, ou então simplesmente não publicá-la? Não é preciso inventar fatos para fabricar verdades. Basta recorrer ao photoshop, basta um comentarista apimentado, basta um ponto de vista coerente adequado a um interesse.
E quem controla isto? Um código de ética? A ética que emana do ser humano vivente no interior do jornalista? Se a ética não consegue coibir nem a comercialização da saúde humana, alguém vai me convencer que a ética é suficiente para sufocar o mercado das verdades? Desculpem a mim, mas prefiro acreditar em Papai Noel. Conheço as pessoas e suas vicissitudes...
O governo também não pode garantir a imprensa livre. Pois, assim como a empresa, o mercado e o âncora super-remunerado, as pessoas do governo tem seus interesses. Uma imprensa regulada seria tão ilegítima quanto a atual imprensa mercantilizada.
A solução é fácil. Basta deixar emergir da própria sociedade, para a qual a imprensa existe, o jornalista livre através de Organizações sem Fins Lucrativos. Vivemos o fenômeno das cooperativas, ONGS, OSCIPs. Por que os jornalistas, em massa, investidos do seu dever de informar e preocupados com um possível movimento controlador do governo não pedem demissão das empresas de capital privado e não constituem cooperativas ou similares? Não precisa ser Ldta ou S/A para imprimir jornais. Bem, talvez neste caso, os super-salários fiquem no passado. Ah, mas com certeza o jornalista realmente ético não vai se importar com isso... Assim como a medicina e a docência, a imprensa deve ser uma missão de vida.
Deixa que as empresas e mercados produzam novelas e comerciais, e nada mais. Que o jornalista realmente se comprometa com a democracia, com a Liberdade e a Sociedade, e seja independente do Mercado para conseguir cumprir o seu dever. Isto deveria ser Lei.
PS: ... E se a imprensa fosse livre?
Qualquer organização que afirme exercer a imprensa, deve divulgar fatos, não idéias ou opiniões. Quem tem idéia é filósofo, quem tem opinião é artista ou político. Quem relata fatos é imprensa.
Esta imprensa, se fosse livre, deveria se limitar a exercer o seu papel: invadir a área 51 e nos contar se alienígenas existem; fuçar as segundas sessões e nos contar se, afinal, JK foi assassinado; escarafunchar as entranhas da máquina pública para nos contar quem roubou o quê. Se é feio ou bonito, se é certo ou errado, se é bom ou mau... A sociedade tem outras instituições para julgar méritos, responsabilidades, beleza, e até valores culturais. Isto não é a imprensa que faz.
Jabour é cineasta, é artista. Adoro ele. Mas não é imprensa. A opinião dele é dele. Cada um tem a sua. Se “O Globo” publica a opinião do Jabour, aquele quadrado do jornal não contém imprensa, não contém notícia. Contém outra coisa, podia até ser propaganda de sabonete...
(será que é ético publicar uma propaganda de sabonete em seguida de uma notícia a respeito da explosão de uma manilha de esgoto no centro da cidade?... E depois alguém aí vem me falar que há imprensa livre? Faz favor, dependura também a meia na lareira e espera até o Natal o seu presentinho...)
Conclusão:
Quanto a TV fala que a liberdade de imprensa está ameaçada, eu evacuo e deambulo. Afinal, não podemos perder o que nunca tivemos...
Um abraço,
A LULA E A CACHALOTE
Nos últimos oito anos, a oposição tem divulgado um ponto de vista no mínimo interessante: “O governo Lula, o PT e seus asseclas, calouros no planalto, idealizaram, projetaram, organizaram e executaram logo nos primeiros dois anos de governo a maior e mais famigerada máquina de corrupção da história do Brasil, infiltrando tentáculos e rizomas daninhos em cada fresta do serviço público brasileiro.
Hã?
Esquecemos de contar que Lula, PT e seus amigos ganharam do Papai Noel, no Natal de 2001 (provavelmente), um saquinho de pó de Pirlimpimpim pra fazer toda esta mágica...
(Não aguentei, falei mais uma vez do Papai Noel... Também vou ser bonzinho! Quem sabe não ganho um saquinho desses este ano... )
Quando eu falo “calouros do planalto” quero exatamente dizer isto. Pela primeira vez, em mais de cem anos de república, subiu ao poder a oposição através do voto direto e democrático.
Mesmo que assumamos que FHC e sua turma, bem como os seus antecessores (incluindo os militares com Maluf, Lucena, Andreazza, Delfim etc e tal) foram um modelo de ética e austeridade, OU SEJA, que Lula herdou um Estado mais limpo que um centro cirúrgico, dá pra sequer imaginar COMO o atual governo cooptou o congresso e todas as instituições públicas e construiu TODA esta máquina de fazer sujeira movida a dinheiro lavado sei-lá-de-onde e sabe-se-lá como?
Preciso justificar a hipótese de que tudo isto já existia ANTES do Lula?
Acredito que nesse governo a corrupção apareceu por um motivo bem simples: apesar do governo ser novo, as instituições são velhas. Ou seja, a quimera peefelista-peessedebista (direita elitista que não está nem aí para a sociedade brasileira e os interesses da nação), que tem herdado o poder há um século, democraticamente ou não, denunciou a cultura Brasiliana da corrupção. Não foi difícil arrumar um Jefferson para o papel de Judas arrependido. O atual governo, apesar de estar no poder, não pôde e nem pode ter o controle absoluto sobre esta máquina corrupta e as instituições que a sustentam. A Herança que a tradicional situação deixou para Lula foi uma verdadeira armadilha.
Mas a armadilha não funiconou: o Povo brasileiro não atribuiu nem a Lula e nem ao PT a responsabilidade de tanta corrpução. Não apontou para o novo governo em si. A sociedade responsabilizou, sim, as pessoas que assumiram a direção desta máquina, como o José Dirceu. (eu pelo menos pergunto sobre os outros capitães de tal navio, que seguraram o timão antes de Dirceu...)
Isto é um fenômeno incontestável. E por que? Porque o povo brasileiro conhece com critica suficiente nossa história política, a trajetória de Lula e do PT, e a trajetória de quem estava antes no Planalto. Afinal, nasci ouvindo o slogan “Maluf rouba mas faz...”, vi pela TV a derrocada de Collor, algumas pérolas que me recordo agora. O povo sabe raciocinar. Se Lula sabia ou não, não importa. O mais provável é que ele chegou na festa e teve que entrar na dança.
Contudo, até esta história tem um labo bom. Ela apareceu, finalmente.Talvez se Serra tivesse subido a rampa em 2002, as cuecas cheias de dólares ainda circulariam anônimas pelos corredores do Governo.
PS.
No início de seu governo, Lula aumentou o contigente da Polícia Federal integrando milhares de novos agentes à instituição, investiu altas somas na sua modernização. Não sei se este processo já estava planejado antes. Mas, de qualquer forma, o bandido-mor super-equipou a polícia que o persegue! Dá pra entender?
E porque o governo Lula não denunciou (ou contra-denunciou) as possíveis sujeiras de seus antecessores? Bem, não sei qual o código que rola nesses bastidores... mas tem um velho ditado muito sábio: quanto mais se mexe na m., mais ela fede!